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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Poemas breves

Refletidas na água
as árvores
dançam como odaliscas

***

O Sol no espelho
é laranja
ou vermelho?

***

Grande diapasão
afina o vento
do sim e do não

***

No meio da melodia
do meio-dia
o universo ria

***

Na mata fechada
a noite faz fotossíntese
no escuro

***

Minha loucura é
adestrada
pela esperança de cura

***

Chuva na piscina
A gota cai
e se alucina

sábado, 7 de agosto de 2010

A vida não basta

Retorço arames para escrever
Quanto mais prática, mais grosso fica o arame

Eu, com mãos de titã, escolho um arame
Com força, arranco-o de onde repousava sem sentido algum

(Eles são imoldáveis, muitas das vezes)
Entretanto, com esmero de ourives, moldo-o

Aprisiono-o em uma escultura móbile
um
a
um
eles vão ganhando sentido

O brilho deixa minha vista embaçada
No fim, não sei o que fiz

Mas já está feito.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Não deu para filmar

Vai, meu irmão,
pula de cabeça
Isso vai te fazer feliz
(por um segundo)
depois você esquece
que existiu felicidade
nesse mundo

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Diga a ela que eu sou você

para Caetano Veloso

Escrevo esse poema
Ou seria letra de música?
Em homenagem ao músico que declama
ou reclama minha atenção
cantando fora do tom ou com o Tom

De que me vale a tarde ser linda
se o sorvete já está no fim
e eu não ganhei o beijo da moça?
A brisa bate sem medo e ela me diz
com timidez ou seria porque não sabe mentir?
já está tarde...

Só um som me renova:
sua voz em bossa-nova
no meu peito em harmonia com o samba
digo adeus e fico só, sem mim.

Lanço no papel um verso disperso
Uma lágrima lírica
Um, dois, três
sinto cheiro de flores pisadas
de amor machucado

Um poeta, um amigo
meu amor ao mar
Quem clama é o Caetano
no corpo de outro menino

De Santo Amaro ao Rio de Janeiro
Quero o corpo dessa moça
inteiro
De fevereiro a fevereiro

Marque um encontro com ela
diga que vai lhe dizer verdades
"Vocês não entendem nada"
Peça ao garçon cajuína
Se não tiver peça café
Diga que um amor assim a gente não recusa

Fale que sou seu amigo
que meu amor é puro e verdadeiro
Se começar a chover
entregue a ela esse bilhete
e diga para selá-lo com um beijo

No dia de amanhã
vou te escutar
no silêncio de uma cidade do interior
na minha radiola miocárdica

Um homem do coração de maçã
No mundo de outros sem dentes

domingo, 1 de agosto de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Em definitivo

O melhor do mundo
seria eu
seria sua metade Calcanhotto
mas você não é inteiro
e eu não sou o que você pensa. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Meus espinhos


Somos rosas
Com pétalas desbotadas
Folhas amarelas
Espinhos dolorosos
Pólen pouco atrativo
Uma rosa excluída
Da beleza da primavera
O vento não nos convida a dançar
As borboletas são repelidas
O sol não nos trás vida
A lua nos exclui do espetáculo noturno
Os enamorados não nos olham
Os defuntos vislumbram em nós enfeite
Tudo em branco e preto
Felicidade é um retrato na parede
Os meus espinhos são uma constante na minha pele
Não tenho seiva
Não sobram em mim senão sombras
A paisagem pede:
- Que morra, Sempre-viva!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Mãos


As mãos que me encantam
Tem muitos detalhes.
O desenho das veias,
rio que serpenteia até chegar no mar: seu coração.
A curvatura dos dedos, lindos.
Os poros que lhe deixam escapar a alma.
A graça que um anel lhe confere não pode ser traduzida.
A palma tenra,
As digitais, as linhas, as unhas.
O elo do amar, o selo do amor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Sábado


Olho entre a roseira: o Sol
Um arco-íris convidativo
Chama-me
Pássaros melodiosos
de penas aquareladas
me traz frutos
e um tom prosaico no bico
uma brisa fugaz traz florzinhas
e lembranças.
Lembranças constantes
E o crepúsculo preenche lacunas.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Flores despetaladas


Meu amor
te ofereço flores
(despetaladas)
Te ofereço cores
(desbotadas)
Te ofereço pássaros
(sem asas)
Te ofereço dores
(realçadas)
Te ofereço mensagens
(codificadas)
Te ofereço tudo
(e nada!)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Em pé na estação


Como vagões de uma locomotiva apressada
As sensações, visões e sentimentos
Visitam a minha vida,
Enquanto, na estação espero um deles me carregar

A vida passa, eu fico
Choro dos olhos para fora
Me agarro ao vagão do desespero
Mas num fluxo de memória, desço na próxima e espero.

Vejo muitos embarcarem
De corpo e alma vão embora
Eu sempre, todavia
Aguardo inerte a minha hora.